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Uma breve história do movimento minimalista

Esqueça as estampas berrantes e os exageros predominantes até os anos 70. O final do século passado trouxe a tona um conceito mais funcional – orientado na realidade japonesa – e plantou a semente do, cada vez mais em voga, minimalismo.

historia do minimalismo

Foi na Paris dos anos 80 que um dos precursores do movimento, o estilista Yohji Yamamoto, chocou a imprensa especializada ao apresentar sua primeira coleção. Inspirado no vestuário dos monges zen-budistas, Yamamoto investiu em uma moda atemporal, resistente aos modismos e preocupada com o conforto.

Quase 40 anos depois, a moda minimalista nunca esteve tão presente. Muito impulsionada pela crise financeira que atingiu o mundo no começo desta década, a proposta se tornou uma  alternativas à produção de massa e uma maneira de minimizar as agressões humana contra o meio ambiente.

Consumo consciente, a chave do slow fashion

Para entender o contexto da moda consciente – ou slow fashion, na sigla em inglês – é importante entender como funciona a produção e o consumo de massa nessa indústria, que é considerada uma das mais poluentes do planeta.

A aquisição de roupas na época em que vivemos está diretamente ligada ao conceito do fast fashion, que é quando a indústria produz novas tendências e estilos com alta rotatividade.

O grande problema é que quanto mais barata as roupas são para o consumidor, menores são os salários para os operários.

Hoje, os trabalhadores que compões a cadeia de produção – geralmente moradores de países subdesenvolvido – recebem cerca de metade do que precisam para pagar por comida, moradia e educação, por exemplo.

Fast fashion não é apenas sobre baixos salários e más condições de trabalho, mas também sobre o meio ambiente.

Em sua engrenagem, o setor têxtil contribui constantemente para o esgotamento de combustíveis fósseis, utilizados na produção e transporte de tecidos e vestuários; além de afetar os  reservatórios de água doce, já que uma simples camiseta requer 2.700 litros de água para ser confeccionada.

Com tantas novas tendências e estilos se desenvolvendo em um ritmo que mal conseguimos acompanhar, isso se traduz em um desperdício de roupas nunca visto na história.

E esses são apenas alguns exemplos de como uma indústria altamente perecível e impulsionada pelo consumo desenfreado afeta o nosso ecossistema.

Menos é mais (consciência)

O movimento minimalista vem justamente na contra mão da tendência fast fashion e ultrapassa a simples expressão de um estilo, para atuar como um manifesto.

Por isso que os adeptos do slow fashion não o consideram uma tendência, mas uma constante filosófica, um comportamento, um estilo de vida.

Cunhado em 2008 pela design Kate Fletcher, que adaptou o conceito do slow food à moda, a abordagem faz parte de uma mobilização maior, que unifica a ideia de “ecologia”, “verde” e “ética”.

Para Carl Honoré, autor do livro Devagar, um consumo mais “lento” surge como uma processo revolucionário no mundo contemporâneo; porque incentiva que o tempo seja dedicado para garantir uma produção de qualidade, para dar valor ao produto e contemplar o meio ambiente.

No Brasil, esse movimento foi estimulado principalmente pela internet, que vem contribuindo para o crescimento da produção local e sua conexão com consumidores além das fronteiras geográficas.

Nesse cenário surgem marcas como a Inaá, que nascem do desejo de não apenas oferecer aos clientes um produto de qualidade, mas também deixar um legado positivo de sustentabilidade.

À medida que sites de e-commerce surgem e facilitam a compra de roupas com um clique – e talvez algum dia entreguem nossos produtos via drones – essa mentalidade descartável vai se tornando o calcanhar de Aquiles da indústria da moda.

Para prosperar, as marcas globais de vestuário precisarão reinventar seus modelos de negócios, abraçar a economia sustentável e convidar criativamente os consumidores a acabar com o desperdício.

 

Por Camila Marinho Monteiro

2018-06-16T13:27:04+00:00junho 16th, 2018|Conceito|1 Comentário

Um Comentário

  1. Luara 18/06/2018 em 23:16 - Responder

    Adorei o texto!! Parabéns!!

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